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Calculadora virtual estimará custos e receitas de recolher palha de cana

Legado do Projeto SUCRE, sistema terá acesso livre e gratuito

“O que se espera é que a calculadora seja utilizada como uma ferramenta exploratória para o setor sucroenergético, respondendo questões ambientais e de viabilidade econômica do recolhimento de palha”. É como descreve o pesquisador Marcos Djun Barbosa Watanabe a plataforma de simulação virtual que será disponibilizada gratuitamente no website como legado do Projeto SUCRE. Watanabe explica que a calculadora será resultado dos estudos desenvolvidos pelos profissionais do Projeto SUCRE, do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O pesquisador do CTBE, que está coordenando o desenvolvimento da ferramenta, conta que a calculadora permitirá simulações de respostas como o preço mínimo de venda da eletricidade gerada, a capacidade de geração da usina e as emissões de gases de efeito estufa evitadas com a bioeletricidade produzida. As respostas serão geradas a partir de informações fornecidas pelo usuário, como a quantidade de palha que a usina planeja recolher, a rota de recolhimento de interesse, além de uma série de parâmetros agrícolas e industriais. Esses dados, que irão representar o mais próximo possível as condições da usina ou as variáveis que o usuário deseja simular, serão aplicados em modelos de simulação capazes de reproduzir alguns resultados obtidos e validados pela equipe, considerando os aprendizados com os estudos do Projeto e os conhecimentos adquiridos com software de simulação.

Usina sucroenergética gerando energia a partir de palha e bagaço de cana-de-açúcar | Foto: Viviane Celente

“Vamos ter um banco de dados com cerca de 30 parâmetros intermediários associados a esses modelos”, detalha Watanabe. A expectativa é que, em uma fração de segundos, esses dados, que podem ser desde intervalos de números como uma curva de números que correlacionam duas variáveis, se relacionem com as informações fornecidas pelo usuário e gerem os resultados no momento em que o preenchimento for finalizado. O pesquisador explica que as principais premissas de avaliação agrícola, industrial, econômica, equipamentos utilizados e custos considerados serão detalhados quando as respostas forem apresentadas no final do cálculo. “Como o usuário não visualizará a etapa dos cálculos, esse relatório trará algumas das premissas que permitem assimilar a complexidade dos modelos que serão utilizados”, pontua. Dessa forma, a calculadora também poderá ser a porta de entrada para que interessados entrem em contato com a equipe do CTBE, caso alguma premissa considerada seja diferente da utilizada na usina ou exista alguma dúvida sobre a estimativa.

Conforme explica Watanabe, as respostas geradas pela plataforma de simulação não necessariamente representarão as condições de todas as usinas, mas são um primeiro passo para um refinamento de dados e possível aproximação com os profissionais do Laboratório. “É importante destacar que estaremos fornecendo números adicionais, não definitivos, mas que representam uma ideia da situação, para subsidiar uma tomada de decisão que deve ser avaliada com cautela, pois envolve altos investimentos e que impactam anos de produtividade de um canavial. Por isso, ferramentas adicionais como a calculadora são importantes”, enfatiza.

O pesquisador esclarece, também, que as informações disponibilizadas pelos usuários poderão ser visualizadas apenas por aquele que as preenchem, não sendo armazenadas pelo sistema. “A ideia é que a ferramenta sirva para uso particular do usuário. Além disso, não seria viável alocarmos um servidor para armazenar esses dados”, informa. Watanabe acredita que o diferencial de uma plataforma como essa é que, além de ser gratuita, está sendo desenvolvida por uma instituição isenta, que não representa nenhum interesse privado. “É a nossa opinião científica/tecnológica, de pesquisadores isentos que já tiveram validação do conhecimento na área ambiental e de modelagem de custos em ‘n’ momentos”, destaca Watanabe dando o exemplo da participação do CTBE no desenvolvimento da calculadora do RenovaBio, que apoia a política pública do Ministério de Minas e Energia (MME).

Sobre o Projeto SUCRE

Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity) tem como objetivo principal aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio da palha gerada durante a colheita da cultura. Para tanto, a equipe trabalha na identificação e solução dos problemas que impedem as usinas parceiras de gerarem eletricidade de forma plena e sistemática. Com início em junho de 2015, serão ao todo cinco anos de projeto e um investimento de cerca de US$ 67,5 milhões, sendo US$ 55,8 milhões a parcela estimada de investimentos pelas usinas (grande parte já realizada com a instalação de estações de limpeza a seco, reforma ou compra de caldeiras, turbogeradores, enfardadoras e outros equipamentos). A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Faciliy), gerida em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e implementada pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).