{"id":5348,"date":"2013-11-15T15:25:29","date_gmt":"2013-11-15T17:25:29","guid":{"rendered":"http:\/\/ctbe.cnpem.br\/?p=5348"},"modified":"2013-11-15T15:25:29","modified_gmt":"2013-11-15T17:25:29","slug":"cana-acucar-produtiva-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/en\/cana-acucar-produtiva-sustentavel\/","title":{"rendered":"Por uma cana-de-a\u00e7\u00facar mais produtiva e sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>Estudos sobre a cana-de-a\u00e7\u00facar nas \u00faltimas d\u00e9cadas estiveram focados, principalmente, no melhoramento gen\u00e9tico das variedades comerciais da planta, que as tornaram mais produtivas e resistentes a estresses bi\u00f3ticos (pragas e doen\u00e7as) e abi\u00f3ticos (seca). Apesar das melhorias em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento da cultura, os n\u00fameros ainda est\u00e3o longe do potencial te\u00f3rico de produtividade da esp\u00e9cie que, segundo pesquisadores da \u00e1rea, \u00e9 de 381 toneladas por hectare. <strong>O \u201cII Workshop on Sugarcane Phisiology for Agronomic Applications\u201d, promovido pelo Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) em Campinas-SP, no final de outubro, trouxe especialistas de v\u00e1rias partes do mundo para mostrar o que pode ser feito para tornar o manejo agr\u00edcola da cana mais eficiente.<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro dia de evento foi dedicado a palestras de especialistas em fisiologia da cana-de-a\u00e7\u00facar em condi\u00e7\u00f5es de campo e a intera\u00e7\u00e3o entre a planta e o ambiente. Um dos assuntos mais discutidos na \u00e1rea atualmente \u00e9 a irriga\u00e7\u00e3o nos canaviais. H\u00e1 tempos se comenta que um dos diferenciais do Brasil no cultivo da planta \u00e9 a elevada produtividade de biomassa sem a necessidade de irriga\u00e7\u00e3o, diferentemente do que ocorre em outros pa\u00edses produtores, como a Austr\u00e1lia. Contudo, o pesquisador Rubens Duarte Coelho, da Escola Superior de Agricultura &#8220;Luiz de Queiroz&#8221; (Esalq\/USP), mostrou em sua palestra que esse conceito pode estar defasado, principalmente com a eminente expans\u00e3o da cultura para regi\u00f5es do cerrado brasileiro. \u201cO uso de irriga\u00e7\u00e3o pode dobrar a produtividade de cana em regi\u00f5es com d\u00e9ficit h\u00eddrico severo\u201d, comenta Coelho.<\/p>\n<p><strong>Ao ser questionado sobre que tipo de pesquisa traria mais benef\u00edcios \u00e0 cultura nos dias atuais, plantas transg\u00eanicas ou irriga\u00e7\u00e3o, Coelho foi enf\u00e1tico: \u201ca irriga\u00e7\u00e3o, por conta do longo tempo previsto para que a pesquisa com transg\u00eanicos resulte em variedades comerciais est\u00e1veis\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Jorge Donzeli, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), apresentou no Workshop do CTBE as variedades de cana lan\u00e7adas pela empresa nas \u00faltimas d\u00e9cadas e destacou que h\u00e1 muitas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas que poderiam melhorar substancialmente a produtividade atual do setor canavieiro, independentemente da necessidade de novas plantas. Para o pesquisador, al\u00e9m de pr\u00e1ticas agron\u00f4micas inadequadas, o pa\u00eds est\u00e1 abaixo do potencial produtivo de suas variedades devido a m\u00e1 aloca\u00e7\u00e3o de plantas em ambientes desfavor\u00e1veis ao material vegetal.<\/p>\n<p><strong>O pesquisador do CTBE Henrique Coutinho Junqueira Franco falou em sua palestra sobre a possibilidade de mudan\u00e7a na configura\u00e7\u00e3o do plantio da cultura de cana-de-a\u00e7\u00facar, devido \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um novo maquin\u00e1rio agr\u00edcola de bitola larga (9m), chamado Estrutura de Tr\u00e1fego Controlado (ETC)<\/strong>. Os primeiros resultados dos estudos sobre redu\u00e7\u00e3o do espa\u00e7amento de plantio da cultura mostraram incrementos de produtividade, em ambientes favor\u00e1veis ao crescimento vegetal, da ordem de 30%. Al\u00e9m disso, a mudan\u00e7a no sistema de plantio proporcionou uma redu\u00e7\u00e3o de 10 toneladas na quantidade de mudas utilizadas durante essa etapa agron\u00f4mica, o que contribui significativamente para a redu\u00e7\u00e3o nos custos de produ\u00e7\u00e3o. \u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 confirmar se os benef\u00edcios na redu\u00e7\u00e3o do espa\u00e7amento e na melhor distribui\u00e7\u00e3o das plantas repercutem tamb\u00e9m nas soqueiras da cultura\u201d, afirma Franco.<\/p>\n<p>Foi apresentado ainda um estudo com ra\u00edzes de cana-de-a\u00e7\u00facar por Rafael Vasconcelos Ribeiro da Unicamp, que buscou avaliar a toler\u00e2ncia ao estresse h\u00eddrico de variedades comerciais de cana-de-a\u00e7\u00facar. De acordo com o pesquisador, pouco se sabe sobre o comportamento fisiol\u00f3gico das ra\u00edzes de cana, devido \u00e0 dificuldade de acesso ao \u00f3rg\u00e3o e pelo escasso n\u00famero de trabalhos publicados sobre o assunto. Os resultados preliminares do grupo de Ribeiro apontam que h\u00e1 diferen\u00e7as genot\u00edpicas para o estresse h\u00eddrico e que as variedades mais tolerantes apresentam ferramentas fisiol\u00f3gicas e morfol\u00f3gicas para suportar o estresse.<\/p>\n<p>O segundo dia de evento foi dedicado aos estudos de crescimento e desenvolvimento da cana-de-a\u00e7\u00facar. V\u00e1rios trabalhos abordaram os caminhos gen\u00e9ticos e as vias metab\u00f3licas que regulam o crescimento de biomassa em plantas de fotoss\u00edntese tipo C4, como a cana-de-a\u00e7\u00facar. Renato Vicentini, pesquisador do CBMEG\/UNICAMP mostrou resultados com experimentos de duas variedades de cana-de-a\u00e7\u00facar contrastantes para ac\u00famulo de sacarose em diferentes fotoper\u00edodos e demonstrou que redes de intera\u00e7\u00e3o g\u00eanicas s\u00e3o din\u00e2micas. J\u00e1 Camila Caldana, pesquisadora do CTBE, apresentou estrat\u00e9gias para identificar metab\u00f3litos que possam ser utilizados como biomarcadores para cana-de-a\u00e7\u00facar, com potencial de predi\u00e7\u00e3o de biomassa. Tamb\u00e9m mostrou resultados sobre a via de sinaliza\u00e7\u00e3o do TOR, que controla o ac\u00famulo de biomassa em todos os eucariotos e tem grande import\u00e2ncia n\u00e3o apenas para manipula\u00e7\u00e3o em plantas de interesse para bioenergia, como tamb\u00e9m em culturas de alimentos como arroz.<\/p>\n<p><strong>Renomados pesquisadores internacionais participaram do segundo dia de evento, como Frederik Botha, do <i>Sugar Research Australia<\/i>, autor do mais completo livro a respeito da fisiologia da cana-de-a\u00e7\u00facar. Thomas Brutnell, do <i>Donald Danforth Plant Science Center<\/i><\/strong>; abordou a diferencia\u00e7\u00e3o fotossint\u00e9tica de plantas C4 utilizando gen\u00f4mica comparativa de dados de express\u00e3o g\u00eanica de plantas C3 e C4 e demonstrou que existem fatores regulat\u00f3rios cis e trans que foram recrutados para a evolu\u00e7\u00e3o da fotoss\u00edntese C4. Para caracterizar esses fatores a planta Setaria viridis est\u00e1 sendo utilizada como modelo para experimentos de transgenia.<\/p>\n<p><i>Jens Kossman<\/i>, da Universidade de Stellenbosch na Africa do Sul, apresentou v\u00e1rios experimentos com plantas transg\u00eanicas de cana-de-a\u00e7\u00facar em que enzimas espec\u00edficas (PFP, UDP-Glc-DH, ATPase vacuolar, etc) tiveram sua atividade reduzida, demonstrando os impactos no metabolismo de ac\u00famulo de sacarose e outros carboidratos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos sobre a cana-de-a\u00e7\u00facar nas \u00faltimas d\u00e9cadas estiveram focados, principalmente, no melhoramento gen\u00e9tico das variedades comerciais da planta, que as tornaram mais produtivas e resistentes a estresses bi\u00f3ticos (pragas e doen\u00e7as) e abi\u00f3ticos (seca). 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