{"id":5353,"date":"2012-12-14T15:46:27","date_gmt":"2012-12-14T17:46:27","guid":{"rendered":"http:\/\/ctbe.cnpem.br\/?p=5353"},"modified":"2012-12-14T15:46:27","modified_gmt":"2012-12-14T17:46:27","slug":"desafio-sustentabilidade-biocombustiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/en\/desafio-sustentabilidade-biocombustiveis\/","title":{"rendered":"O desafio da sustentabilidade dos biocombust\u00edveis"},"content":{"rendered":"<p>Avaliar a sustentabilidade da cadeia produtiva dos biocombust\u00edveis, dentre eles o etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar, demanda um esfor\u00e7o consider\u00e1vel de pesquisadores de distintas \u00e1reas. In\u00fameros aspectos est\u00e3o envolvidos na an\u00e1lise, como emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e impactos socioecon\u00f4micos no processo de produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Com o intuito de discutir e validar estudos realizados nessa \u00e1rea, o Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) promoveu, nos dias 12 e 13 de dezembro, um workshop de avalia\u00e7\u00e3o do seu Programa de Sustentabilidade. Pesquisas em sete \u00e1reas tem\u00e1ticas foram analisadas: emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, impactos socioecon\u00f4micos, mudan\u00e7as no uso da terra, impactos sobre os recursos h\u00eddricos, banco de dados, an\u00e1lise integrada da sustentabilidade e impactos sobre a biodiversidade.<\/strong><\/p>\n<p>Um dos destaques apresentados foi o estudo que relaciona a produ\u00e7\u00e3o de etanol a aspectos sociais. Pesquisadores do CTBE compararam indicadores de qualidade de vida \u2013 que incluem IDH, renda, distribui\u00e7\u00e3o de renda, alfabetiza\u00e7\u00e3o, mortalidade infantil e acesso \u00e0 infraestrutura (eletricidade e saneamento) &#8211; de munic\u00edpios de portes semelhantes, com e sem atividade canavieira. Integraram a an\u00e1lise cidades de cinco estados brasileiros: S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Paran\u00e1, Alagoas e Pernambuco. O estudo contemplou dados censit\u00e1rios de 1970, 1980, 1991 e 2000. N\u00fameros de 2010 integrar\u00e3o a pesquisa assim que o IBGE publicar o resultado final.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que em S\u00e3o Paulo os munic\u00edpios canavieiros t\u00eam, em m\u00e9dia, melhores indicadores de qualidade de vida em todos os per\u00edodos analisados. Nos demais estados, tal vantagem \u00e9 menor. A atividade canavieira paulista \u00e9 antiga, bem organizada e desenvolvida, o que poderia explicar esse resultado. \u201cA cana entrou em munic\u00edpios paulistas que j\u00e1 tinham bons indicadores, por causa de atividades como a cultura do caf\u00e9, por exemplo\u201d, explica Arnaldo Walter, diretor do Programa de Sustentabilidade do CTBE.<\/p>\n<p>Outra constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que as diferen\u00e7as entre os indicadores de munic\u00edpios canavieiros e n\u00e3o canavieiros era maior em 1970 e diminuiu gradativamente at\u00e9 2000. Walter credita essa redu\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas mais disseminadas, e \u00e0 melhoria do acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 eletricidade, saneamento b\u00e1sico e demais infraestruturas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m merece destaque o trabalho desenvolvido em parceria com o Instituto de Estudos do Com\u00e9rcio e Negocia\u00e7\u00f5es Internacionais (ICONE) sobre mudan\u00e7a no uso da terra. Os cientistas incorporaram uma s\u00e9rie de melhorias ao <i>Brazilian Land Use Model<\/i> (BLUM), acrescentando m\u00f3dulos ligados ao desenvolvimento de novas tecnologias, como a produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir do baga\u00e7o e palha da cana e \u00e0 expans\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade nas usinas.<\/p>\n<p>A partir do ano que vem, esse modelo melhorado ser\u00e1 utilizado para simular mudan\u00e7as que podem ocorrer no uso da terra, levando em conta previs\u00f5es de aumento na produ\u00e7\u00e3o de cana e etanol nos pr\u00f3ximos anos e de introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias no setor, al\u00e9m de cen\u00e1rios restritivos ao plantio de cana devido a fatores como preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p><strong>O workshop do CTBE contou ainda com a fala de Andr\u00e9 Faaij, parceiro do CTBE e pesquisador de An\u00e1lise de Sistemas Energ\u00e9ticos da Universidade de Utrecht, na Holanda, sobre a perspectiva europeia na \u00e1rea de biocombust\u00edveis.<\/strong> Segundo o pesquisador, o continente vive a dicotomia entre a demanda dos governos pelo uso dos combust\u00edveis \u201cverdes\u201d para reduzir os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e campanhas de m\u00eddia promovidas por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que tentam mostrar os biocombust\u00edveis como uma alternativa prejudicial ao balan\u00e7o de gases de efeito estufa, \u00e0 seguran\u00e7a alimentar e ao futuro de pequenos agricultores. Esse debate tem gerado avan\u00e7os nos estudos agr\u00edcolas. &#8220;A preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade dos biocombust\u00edveis fez com que volt\u00e1ssemos nossa aten\u00e7\u00e3o para a agricultura de maneira geral, em quest\u00f5es ligadas \u00e0 certifica\u00e7\u00e3o e \u00e0 melhoria do manejo de diversas culturas&#8221;, explica Faaij.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do Programa de Sustentabilidade foi feita por pesquisadores brasileiros e dois estrangeiros (do <i>Oak Ridge National Laboratory<\/i>, dos EUA, e do <i>Joint Research Centre<\/i>, da Comiss\u00e3o Europ\u00e9ia).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avaliar a sustentabilidade da cadeia produtiva dos biocombust\u00edveis, dentre eles o etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar, demanda um esfor\u00e7o consider\u00e1vel de pesquisadores de distintas \u00e1reas. 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