{"id":7944,"date":"2017-05-03T12:17:40","date_gmt":"2017-05-03T15:17:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ctbe.cnpem.br\/?p=7944\/"},"modified":"2017-05-03T12:17:40","modified_gmt":"2017-05-03T15:17:40","slug":"usos-da-palha-no-campo-e-na-industria-revelam-potencial-da-biomassa-para-conservacao-ambiente-e-geracao-de-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/en\/usos-da-palha-no-campo-e-na-industria-revelam-potencial-da-biomassa-para-conservacao-ambiente-e-geracao-de-energia\/","title":{"rendered":"Usos da palha no campo e na ind\u00fastria revelam potencial da biomassa para conserva\u00e7\u00e3o do ambiente e gera\u00e7\u00e3o de energia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Erik Nardini<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o em se manter os canaviais produtivos por mais tempo. Atualmente, a cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar tem \u201cvida \u00fatil\u201d m\u00e9dia de 3,6 safras no centro-sul do Brasil, podendo se estender por v\u00e1rios anos, mediante ao bom manejo, antes de o solo passar por uma esp\u00e9cie de renova\u00e7\u00e3o. Para que o solo consiga suportar esse processo os agricultores recorrem \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de herbicidas e adubos, mas h\u00e1 algum tempo outros m\u00e9todos de cuidado com o campo t\u00eam sido estudados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um deles, realizado por pesquisadores do <strong>Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE)<\/strong>, procura encontrar o <strong>equil\u00edbrio da quantidade e qual parte de palha, , que deve ser mantido sobre o solo<\/strong> e quanto pode ser seguramente removido<strong> para produ\u00e7\u00e3o de bioenergia<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo <em>Comprehensive assessment of sugarcane straw: implications for biomass and bioenergy production, <\/em>publicado recentemente no peri\u00f3dico <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/bbb.1760\/full\">Biofuels, Bioproducts &amp; Biorefining \u2013 Biofpr<\/a>, apresenta resultados de pesquisas realizadas em tr\u00eas cortes de quatro variedades de cana em sete regi\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo <strong>Lauren Maine Santos Menandro<\/strong>, Engenheira Agr\u00f4noma no <strong>CTBE<\/strong> e principal autora do artigo, a composi\u00e7\u00e3o de ponteiros [topos verdes] e folhas secas se diferem muito entre si, e estas diferen\u00e7as se sobrep\u00f5em \u00e0s existentes entre variedades, tipos de solo e idades do canavial.&nbsp; \u201cAs folhas secas representam 60% da palha (massa seca), no entanto, os ponteiros cont\u00eam cerca de 70% do teor total de Nitrog\u00eanio (N), F\u00f3sforo (P) e Pot\u00e1ssio (K)\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_1281.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7947  lazyload\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/yH5BAEAAAAALAAAAAABAAEAAAIBRAA7\" data-src=\"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_1281-1030x687.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\"><noscript><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7947  lazyload\" src=\"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_1281-1030x687.jpg\" alt=\"\" width=\"638\" height=\"425\"><\/noscript><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Topos verdes e folhas secas no solo ap\u00f3s colheita de cana: estudo busca&nbsp;compreender usos e propor\u00e7\u00f5es<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora conta que para a realiza\u00e7\u00e3o do trabalho foram coletadas 468 amostras em canaviais localizados na regi\u00e3o centro-sul do Brasil. Segundo a autora, foi poss\u00edvel observar uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de palha \/ colmo de 12% (120 kg de massa seca de palha por tonelada de colmo fresco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Figura_noticia_correta.png\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7946  lazyload\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/yH5BAEAAAAALAAAAAABAAEAAAIBRAA7\" data-src=\"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Figura_noticia_correta-300x197.png\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"264\"><noscript><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-7946  lazyload\" src=\"https:\/\/lnbr.cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Figura_noticia_correta-300x197.png\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"264\"><\/noscript><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse dado pode ser utilizado para estimar a produ\u00e7\u00e3o de palha nos canaviais do centro-sul do Brasil\u201d, avalia Menandro. A exce\u00e7\u00e3o ficou por conta do resultado obtido em canaviais mais velhos (5\u00ba corte), que mostrou uma rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de palha um pouco inferior, da ordem de 10%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lugar de ponteiro \u00e9 no campo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo mostra que os ponteiros de cana, ricos em N, P e K, s\u00e3o capazes de reciclar at\u00e9 quatro vezes mais esses nutrientes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s folhas secas. \u201cAl\u00e9m disto, os ponteiros devem ser evitados na ind\u00fastria, pois apresentam umidade mais elevada (68% contra 11% das folhas secas) e tamb\u00e9m altos teores de cloro (10 vezes mais que as folhas secas), caracter\u00edsticas indesej\u00e1veis no processo de produ\u00e7\u00e3o de bioeletricidade e etanol 2G. Isso significa que, quando processados na ind\u00fastria, acabam prejudicando a efici\u00eancia das caldeiras, reduzindo a vida \u00fatil dos equipamentos e aumentando o custo total de produ\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta Menandro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, explica a autora, as folhas secas apresentam \u00f3timo rendimento na cogera\u00e7\u00e3o de eletricidade e na produ\u00e7\u00e3o de etanol 2G em raz\u00e3o de maiores concentra\u00e7\u00f5es de celulose, lignina, e hemiceluloses, al\u00e9m de alto poder calor\u00edfico. Outros detalhes do projeto foram abordados na p\u00e1gina do Projeto <strong>SUCRE<\/strong> e podem ser <a href=\"http:\/\/pages.cnpem.br\/sucre\/2016\/06\/13\/ponteiros-campo-folhas-secas-industria-demonstra-pesquisa-embasamento-projeto-sucre\/\"><strong>lidos aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantidade de res\u00edduo a ser mantido no solo: generaliza\u00e7\u00f5es devem ser evitadas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionada sobre a quantidade ideal de res\u00edduos a serem deixados no campo, Menandro diz que <strong>n\u00e3o existe valor fixo para a quantidade de ponteiros e folhas secas que deve permanecer no campo<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base na literatura cient\u00edfica, Menandro e outros pesquisadores do CTBE, verificaram que os benef\u00edcios agron\u00f4micos e ambientais est\u00e3o em equil\u00edbrio quando s\u00e3o mantidos, no m\u00ednimo, sete toneladas de massa seca de palha por hectare na superf\u00edcie do solo por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/ctbe.cnpem.br\/residuo-da-colheita-de-cana-palha-protege-o-solo-e-tem-alto-potencial-gerador-de-bioenergia\/\"><strong>SETE TONELADAS POR HECTARE? VEJA DETALHES NA REPORTAGEM<\/strong><\/a><\/p>\n<p>No entanto, relembra Menandro, \u201cos trabalhos v\u00eam mostrando que uma recomenda\u00e7\u00e3o padr\u00e3o da quantidade de palha a ser mantida no campo deve ser evitada, j\u00e1 que as condi\u00e7\u00f5es de clima e solo dos canaviais s\u00e3o muito distintas e as respostas \u00e0 remo\u00e7\u00e3o da palha tamb\u00e9m ser\u00e3o\u201d, analisa. \u201cSolos sob diferentes condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas necessitam de quantidades distintas de palha para manter a sustentabilidade do sistema\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e9todos de colheita devem ser constantemente aperfei\u00e7oados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a remo\u00e7\u00e3o da palha for necess\u00e1ria e vi\u00e1vel economicamente, Menandro destaca que \u201cos ponteiros devem ser preferencialmente mantidos no campo e as folhas secas removidas (parcial ou totalmente) para ind\u00fastria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande gargalo para o melhor aproveitamento destes res\u00edduos est\u00e1 na colheita, principalmente da cana \u2018tombada\u2019, situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel utilizar o \u2018despontador\u2019 para separar os ponteiros. &nbsp;\u201cNenhuma colhedora hoje tem um sistema capaz de separar efetivamente os ponteiros das folhas secas no campo\u201d, conta Menandro. \u201cO ideal seria separar, distribuir os ponteiros no campo e mandar parte das folhas secas para usina\u201d, explica.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/pages.cnpem.br\/sucre\/2016\/12\/16\/sucre-mapeia-rotas-atuais-recolhimento-palha\/\">CONHE\u00c7A OUTRAS ROTAS DE COLHEITA<\/a><\/h2>\n<p>Conforme Menandro, o intuito da pesquisa \u00e9 mostrar que ao separar ponteiros e folhas secas \u00e9 poss\u00edvel oferecer mat\u00e9ria-prima de melhor qualidade para produ\u00e7\u00e3o de bioenergia (folhas secas), sem perder os benef\u00edcios da palha no campo e prejudicar o canavial (manuten\u00e7\u00e3o dos ponteiros)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNossos resultados oferecem oportunidades para o setor sucroenerg\u00e9tico. As colhedoras que evolu\u00edrem neste sentido \u2013 melhorar separa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos na colheita \u2013 estar\u00e3o um passo \u00e0 frente em desenvolvimento, impactando do setor agr\u00edcola ao industrial. N\u00f3s do CTBE j\u00e1 estamos de olho nisto e estamos buscando parcerias para que isso se torne realidade para o setor\u201d, conclui a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre o CTBE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organiza\u00e7\u00e3o social vinculada ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC). O CTBE desenvolve pesquisa e inova\u00e7\u00e3o de n\u00edvel internacional na \u00e1rea de biomassa voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia, biocombust\u00edveis e bioprodutos. O Laborat\u00f3rio possui um ambiente singular no Pa\u00eds para o escalonamento de tecnologias, visando a transfer\u00eancia de processos da bancada cient\u00edfica para o setor produtivo, no qual se destaca a Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Erik Nardini H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o em se manter os canaviais produtivos por mais tempo. Atualmente, a cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar tem \u201cvida \u00fatil\u201d m\u00e9dia de 3,6 safras no centro-sul do Brasil, podendo se estender por v\u00e1rios anos, mediante ao bom manejo, antes de o solo passar por uma esp\u00e9cie de renova\u00e7\u00e3o. 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