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Encontro com usinas marca 2ª etapa do Projeto SUCRE, que avaliará novos cenários de recolhimento de palha

Discussões com usinas são essenciais para o desenvolvimento dos estudos

 

Representantes de oito usinas do setor sucroenergético estiveram dia 26 de julho no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que compõe o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas-SP, para a reunião que deu início às atividades da segunda parte do Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity). Essa é a etapa do Projeto que visa realizar estudos de viabilidade técnico-econômica e ambiental do uso da palha da cana-de-açúcar para geração de bioeletricidade em ao menos sete novas usinas parceiras interessadas em ampliar a geração de eletricidade excedente.

O objetivo da reunião foi apresentar e discutir, junto às usinas parceiras, a metodologia de avaliação que será utilizada. Segundo a pesquisadora do CTBE e líder da equipe responsável pelas avaliações econômicas e ambientais do uso da palha no SUCRE, Tassia Lopes Junqueira, os estudos irão avaliar os impactos ambientais, custos de recolhimento e potencial de geração de eletricidade da palha em cada uma das usinas, identificando os cenários de recolhimento e processamento, os investimentos e as mudanças necessárias para que esse potencial seja alcançado. “É importante ressaltar que essa nova fase vai estar trazendo todo o aprendizado que adquirimos na primeira fase junto de várias usinas, incluindo várias de vocês”, destacou durante sua apresentação.

Essas análises serão possíveis a partir da ferramenta de simulação computacional que vem sendo desenvolvida no CTBE, a Biorrefinaria Virtual da Cana-de-açúcar (BVC), capaz de avaliar diferentes rotas e processos, seja na fase agrícola ou industrial, integrando a cadeia produtiva da cana e considerando aspectos econômicos, ambientais e sociais. Além do modelo de avaliação da BVC e os dados obtidos e validados pela equipe durante a primeira etapa do Projeto, também serão utilizadas informações fornecidas pelas usinas parceiras dessa segunda etapa.

 

CONFIRA DETALHES SOBRE AS AVALIAÇÕES DA 2ª ETAPA DO PROJETO SUCRE

 

Relevância nacional da palha como fonte de energia

“Geração de energia a partir da biomassa é uma contribuição importante para o País e é algo considerado estratégico para o CTBE”, destacou o Diretor do CTBE, Eduardo do Couto e Silva, que abriu a reunião do Projeto. “Nós estamos em uma nova fase do Projeto em que vamos aumentar o engajamento com o setor sucroenergético, e como formadores de opinião, estes são parceiros importantes”, afirmou. Couto explicou que os parceiros foram escolhidos de forma minuciosa, considerando características únicas e relevantes para o Projeto SUCRE.

As usinas que compõem essa segunda etapa de avaliações estão distribuídas pelo Brasil, localizadas em regiões distintas do estado de São Paulo, em Goiás, no Paraná e Alagoas. Segundo o responsável pela relação com os parceiros do Projeto SUCRE, Daniel Duft, o critério de escolha das usinas foi encontrar aquelas que necessariamente tem interesse em usar a palha e aumentar a geração de eletricidade. “Temos certeza de que todas as formas utilização da palha estão representadas aqui e imaginamos que esse espírito colaborativo é o que faz com que o Projeto avance de uma maneira bem mais rápida”, disse Duft durante a reunião.

 

Representantes das usinas parceiras e integrantes do Projeto SUCRE no CTBE/CNPEM para reunião que marcou o início dos trabalhos dessa segunda etapa | Foto: Viviane Celente

 

Divulgação de dados para o crescimento do setor

Em sua apresentação, Duft evocou o workshop de início do Projeto, em 02 de junho de 2015, quando aconteceu a reunião de partida do SUCRE junto das primeiras quatro usinas parceiras, que representavam um leque amplo de formas de utilizar a palha. “Nesse dia, todos esses parceiros nos ajudaram a tomar os rumos que guiaram nossos estudos”, mencionou fazendo alusão à reunião de partida dessa segunda etapa. “Estamos aqui agora para essa reunião de partida dos estudos de viabilidade, porque descobrimos que ainda faltavam alguns cenários e tipos de avaliações que não tínhamos contemplado”, completou.

“Somos [o Projeto SUCRE] feitos de lições aprendidas”, relatou, destacando uma característica importante do setor sucroenergético que é o intercâmbio de conhecimentos. “Todos aqui sabem que o etanol e o açúcar do Brasil se desenvolveram muito por esse compartilhamento de informações”. Além de identificar as usinas, reconhecer as boas práticas, avaliar, padronizar as informações e disseminá-las de maneira organizada, Duft explicou que o diferencial do Projeto é criar mecanismos de avaliações quantitativas. Os números, que estão sendo levantados até o final do SUCRE, indicarão o investimento necessário para o melhor uso da palha para geração de bioeletricidade.

 

 

Sobre o Projeto SUCRE

Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity) tem como objetivo principal aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio da palha gerada durante a colheita da cultura. Para tanto, a equipe trabalha na identificação e solução dos problemas que impedem as usinas parceiras de gerarem eletricidade de forma plena e sistemática. Com início em junho de 2015, serão ao todo cinco anos de projeto e um investimento de cerca de US$ 67,5 milhões, sendo US$ 55,8 milhões a parcela estimada de investimentos pelas usinas (grande parte já realizada com a instalação de estações de limpeza a seco, reforma ou compra de caldeiras, turbogeradores, enfardadoras e outros equipamentos). A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Faciliy), gerida em  parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e implementada pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).