Leticia Zanphorlin desenvolve pesquisas com enzimas para transformar resíduos agroindustriais em combustíveis avançados e produtos químicos renováveis
A pesquisadora Leticia Maria Zanphorlin Murakami, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), foi selecionada pela revista Forbes Brasil como uma das “100 Mulheres Poderosas do Agro”. A lista, publicada em 15 de outubro, reúne produtoras rurais, pesquisadoras, executivas, empreendedoras e lideranças institucionais, considerando o poder de decisão, o impacto e a influência de suas atuações no setor.
No CNPEM, Leticia lidera um grupo de pesquisa dedicado ao aproveitamento de resíduos agroindustriais para a produção sustentável de combustíveis avançados, produtos químicos renováveis e vitaminas. O trabalho, desenvolvido na Unidade de Biorrenováveis do Centro, envolve o estudo e a engenharia de enzimas, proteínas que aceleram reações químicas, para desenvolver processos de transformação dessas matérias-primas em produtos de maior valor agregado.

Letícia Zanphorlin em atividade no CNPEM
“Recebi a notícia com muita surpresa e emoção. Não sabia que havia sido selecionada e descobri meu nome ao ver a lista publicada pela Forbes. Para mim, essa conquista tem um significado particularmente especial porque evidencia o potencial da ciência e da biotecnologia na transformação do agro”, conta Leticia.
Na apresentação da pesquisadora, a Forbes destaca o desenvolvimento de enzimas capazes de transformar gorduras e resíduos agroindustriais em hidrocarbonetos, compostos que podem ser utilizados na produção de combustível sustentável de aviação e de químicos renováveis. A publicação também menciona parcerias com empresas e patentes decorrentes das pesquisas.
Graduada em Física e mestre em Biofísica Molecular pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Letícia é doutora em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atua como líder de grupo no CNPEM desde 2019 e também é pesquisadora colaboradora da Unicamp, vinculada a dois programas de pós-graduação.
No CNPEM, Zanphorlin coordena projetos de pesquisa em parceria com empresas nacionais e internacionais. Sua produção científica inclui publicações e pedidos de patente no Brasil e no exterior. Atualmente, representa o Centro na Aliança Global de Bioeconomia (GBA) e é editora associada da revista científica npj Biocatalysis.
Ao comentar o reconhecimento, a pesquisadora ressalta a participação dos estudantes, pesquisadores, colaboradores e parceiros em sua trajetória, além do ambiente de pesquisa proporcionado pelo CNPEM. “A ciência é uma construção coletiva, e nenhum resultado seria possível sem o trabalho, a dedicação e o talento das pessoas com quem tenho o privilégio de trabalhar.”
Esta é a segunda edição da lista “100 Mulheres Poderosas do Agro”, lançada originalmente em 2021. Para Letícia, dar visibilidade às mulheres na ciência contribui para reconhecer suas contribuições, ampliar referências e mostrar às novas gerações que esses espaços também lhes pertencem. “Durante muito tempo, a ciência, a tecnologia e os setores industriais foram associados predominantemente a trajetórias masculinas. Reconhecer mulheres que ocupam posições de liderança nessas áreas ajuda a transformar essa percepção, romper estereótipos e inspirar outras mulheres e meninas a seguirem seus próprios caminhos. Ao longo da minha carreira, aprendi também que liderar é muito mais do que alcançar resultados científicos. É formar pessoas, criar oportunidades, incentivar a autonomia e contribuir para que outros pesquisadores possam desenvolver todo o seu potencial”, diz.
Mãe de Maria Clara, de 10 anos, Letícia ressalta que o reconhecimento ganha uma dimensão pessoal. “Quero que minha filha cresça sabendo que pode fazer suas próprias escolhas, perseguir seus sonhos e ocupar os espaços que desejar. Acredito muito na força do exemplo e na importância de mostrar, por meio de trajetórias reais, que as mulheres podem ser protagonistas na construção do conhecimento, na inovação e nas decisões que ajudam a transformar a sociedade”, finaliza Letícia.

Letícia em arte de divulgação feita pela revista Forbes Brasil
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.Sobre o CNPEM





