Iniciativa reúne LNBR/CNPEM, Equinor, Embrapii e Unicamp para desenvolver soluções inovadoras que transformem resíduos da indústria sucroenergética em combustível renovável
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) participa do projeto Res2Bio (Residues to Biomethane), iniciativa que tem como objetivo ampliar a produção de biometano a partir de resíduos da cadeia sucroenergética. Realizado em parceria com o Centro Paulista de Estudos em Biogás e Bioprodutos (CP2B) da Unicamp, a Equinor e a Embrapii, o projeto busca desenvolver soluções tecnológicas capazes de converter resíduos agroindustriais em combustível renovável, contribuindo para a descarbonização da matriz energética brasileira. As atividades contarão com a participação de pesquisadores do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR/CNPEM).

Representantes das instituições em evento para assinatura da parceria
O projeto prevê o uso de resíduos remanescentes do processo de produção de etanol. Bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro serão coletados em parceria com atores industriais do setor sucroenergético, viabilizando pesquisas voltadas à produção de biometano. O insumo é estrategicamente importante para a transição energética, pois pode substituir o gás fóssil sem a necessidade de grandes mudanças na infraestrutura existente.
Além disso, o biometano também se destaca por converter resíduos orgânicos em energia, alinhando a redução de emissões de metano — que, de outra forma, seriam liberadas durante a decomposição dos resíduos — com a geração de energia renovável produzida localmente, entre outros benefícios.
“Projetos como o Res2Bio mostram como o conhecimento científico pode transformar um desafio ambiental em uma oportunidade de geração de valor. No CNPEM, temos avançado no desenvolvimento de soluções biotecnológicas voltadas ao aproveitamento integral de resíduos agroindustriais, especialmente por meio do uso de enzimas e microrganismos integrados a tratamentos termoquímicos, visando viabilizar o uso desses resíduos como matéria-prima alternativa ao petróleo em escala industrial. Essas tecnologias permitem aumentar a eficiência dos processos e viabilizar novas rotas para a produção de biocombustíveis, como o biometano, contribuindo para uma economia mais circular e de baixo carbono. Ao integrar ciência de ponta com demandas reais da indústria, ampliamos o potencial de transformar resíduos em recursos estratégicos para a transição energética”, declara Mário Murakami, diretor do LNBR/CNPEM.
Recursos
O Res2Bio receberá R$ 26,4 milhões em investimentos ao longo de 42 meses de pesquisa, sendo R$ 17,2 milhões aportados pela Equinor e R$ 9,2 milhões pela Embrapii. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de soluções capazes de tornar mais eficiente a conversão de resíduos da cadeia sucroenergética em biometano, combustível renovável considerado estratégico para a transição energética.
“O projeto Res2Bio é uma demonstração importante de como o nosso modelo de fomento pode ser usado de maneira ágil para gerar soluções de baixo carbono com benefícios ambientais para o Brasil. Estamos falando de um projeto que transforma resíduos da cadeia sucroenergética em alternativa renovável ao gás fóssil. Na prática, estamos somando sustentabilidade, competitividade industrial e desenvolvimento tecnológico”, diz Alvaro Prata, presidente da Embrapii.
A iniciativa também integra a estratégia da Equinor de apoiar o desenvolvimento de soluções inovadoras para a transição energética e fortalecer a pesquisa aplicada no Brasil.
“Sempre dizemos que gerar valor local significa contribuir, por meio dos nossos negócios e iniciativas, para o desenvolvimento da sociedade. É exatamente isso que a Equinor vem fazendo no Brasil, ao construir um amplo portfólio em PD&I. Celebrar este projeto, que tem potencial para gerar valor significativo para o país, para a academia e para a nossa empresa, nos enche de orgulho e está alinhado ao nosso propósito de transformar recursos naturais em energia para as pessoas e progresso para a sociedade, sempre buscando a excelência”, afirma Andrea Achoa, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Equinor.
Etapas do projeto
Ao longo dos 42 meses de execução, o projeto será dividido em diferentes etapas voltadas ao aumento da eficiência da conversão de resíduos orgânicos em biometano. Inicialmente, serão avaliados diferentes métodos de pré-tratamento para auxiliar na quebra de estruturas mais complexas, aumentando a quantidade de açúcares disponíveis para a produção de biogás. A etapa seguinte terá como foco o aprimoramento do processo de digestão anaeróbia, por meio da análise do funcionamento do sistema e do papel dos microrganismos, além da combinação de diferentes tipos de resíduos para ampliar a produção de biogás e avaliar a qualidade do material remanescente.
Na sequência, o projeto irá aprimorar a purificação do biogás, separando o metano de outros gases, como dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio, garantindo que o biometano final atenda aos padrões de mercado. Por fim, serão analisados os benefícios ambientais, sociais e econômicos do processo, com foco na redução das emissões de gases de efeito estufa e na melhoria da gestão de resíduos.
A cerimônia de assinatura da cooperação para o desenvolvimento do projeto ocorreu durante a inauguração do novo edifício-sede do CP2B, centro de pesquisa vinculado ao Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Unicamp. O centro atua na pesquisa e no desenvolvimento de soluções voltadas à produção sustentável de biogás, biometano e outros bioprodutos, promovendo a integração entre universidades, empresas e poder público.
“O Res2Bio representa uma integração importante entre ciência e aplicação, ao reunir pesquisa básica, pesquisa aplicada e a colaboração entre universidade e empresa. A partir dessa conexão, é possível desenvolver ciência de ponta voltada à solução de desafios reais do setor produtivo. Essa parceria entre universidades e empresas fortalece ambos os lados e evidencia como a ciência pode contribuir de forma concreta para o desenvolvimento de soluções inovadoras”, conclui Bruna Moraes, diretora do CP2B.
Além da colaboração entre o LNBR/CNPEM, o CP2B/Unicamp, a Equinor e a Embrapii, o Res2Bio contará também com o apoio de pesquisadores da Universidade de Aalborg, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU) e do Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO).
Sobre o CNPEM
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.





