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Resultados do Projeto SUCRE são destaque em revista científica de alto impacto

Estudos confirmam ser possível a remoção parcial da palha da cana-de-açúcar
garantindo a qualidade do solo e a produtividade

 

Parte dos resultados do Projeto SUCRE foram reunidos na edição especial sobre palha, de dezembro de 2019, da revista científica BioEnergy Research, da editora Springer. Dentre os 38 artigos publicados, 12 são de profissionais do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), no âmbito do Projeto SUCRE. Essa edição especial foi coordenada e co-editorada pelo pesquisador do LNBR/CNPEM João Luís Nunes Carvalho e teve como objetivo fornecer dados quantitativos de alto nível científico sobre o uso da palha para geração de eletricidade afim de apoiar a tomada de decisão sobre o melhor uso desta biomassa, podendo auxiliar de forma estratégica a academia, o setor sucroenergético e formuladores de políticas públicas.

ACESSE A EDIÇÃO ESPECIAL DE PALHA DA BIOENERGY RESEARCH

A publicação abrange os resultados obtidos no Projeto SUCRE, no âmbito agronômico da remoção de palha dos canaviais, tratando da qualidade do solo, ciclagem de nutrientes e manejo de fertilizantes, emissões de gases de efeito estufa (GEE), manejo de pragas, rendimento de culturas, soluções de engenharia e desempenho industrial. As principais conclusões demonstram que a remoção estratégica de palha é viável no Brasil quando o conhecimento integrado é aplicado, garantindo o uso da palha para fins industriais sem comprometer os serviços ecossistêmicos do solo e o rendimento da cana-de-açúcar.

 

A PAUTA É PALHA

A palha de cana-de-açúcar como principal tema da edição de uma das mais conceituadas revistas de bioenergia reitera a relevância que essa biomassa vem adquirindo nas últimas décadas, impulsionada pela transição do sistema de queima e colheita manual para o sistema de colheita mecanizada, sem queima e, portanto, menos poluente. Com essa mudança no setor de cana-de-açúcar, a palha, antes queimada, permanece no campo, formando camadas de 10 a 20 Mg/ha na superfície do solo, a qual parte pode ser recolhida para ser utilizada nas usinas como complemento ao bagaço na geração de eletricidade. Fonte de energia com baixa emissão de GEE, a palha e seu recolhimento sustentável tornaram-se ainda mais essenciais com o surgimento de políticas setoriais, como o RenovaBio, e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para alcançar as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa do Acordo de Paris.

Múltiplos problemas de gerenciamento de palha desde o campo até o processamento na usina exigiram pesquisas inovadoras e transdisciplinares para quantificar os efeitos da colheita, transporte e conversão da palha da cana de açúcar em bioprodutos. Equilibrar novas oportunidades econômicas para todos os setores da indústria com serviços ecossistêmicos do solo  (isto é, modular processos e funções essenciais do solo), impedindo a remoção indiscriminada e excessiva de resíduos de culturas, exigiu um trabalho coordenado aliando experimentos de campo de longo prazo e análises e avaliações integradas, de parceria público-privada – como é o caso dos estudos presentes nessa edição da publicação –, complementando estudos anteriores, geralmente qualitativos e baseados em comparações simples entre áreas com e sem palha.

 

Sobre o Projeto SUCRE

O Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity) tem como objetivo principal aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio da palha disponibilizada durante a colheita da cana-de-açúcar. Para tanto, a equipe trabalha na identificação e solução dos problemas que impedem as usinas parceiras de gerarem eletricidade de forma plena e sistemática. Com início em junho de 2015, serão ao todo cinco anos de projeto, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Faciliy) de cerca de US$ 7.5 milhões e contrapartida do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) de mais de US$ 3 milhões. No setor privado, o recolhimento e uso da palha para produção de eletricidade alavancou um investimento de cerca de US$ 160 milhões pelas usinas parceiras (grande parte já realizada com a instalação de estações de limpeza a seco, reforma ou compra de caldeiras, turbogeradores, enfardadoras e outros equipamentos). A iniciativa é gerida em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e implementada pelo Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR), que integra o CNPEM.

 

Sobre o LNBR

O Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social qualificada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC). O LNBR emprega a biomassa e a biodiversidade brasileiras para resolver desafios relevantes para o País por meio de soluções biotecnológicas que promovam o desenvolvimento sustentável de biocombustíveis avançados, bioquímicos e biomateriais. O Laboratório possui diversas Instalações Abertas a Usuários, incluindo a Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos, estrutura singular no país para escalonamento de tecnologias.

 

Sobre o CNPEM

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é uma organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Localizado em Campinas-SP, gerencia quatro Laboratórios Nacionais – referências mundiais e abertos às comunidades científica e empresarial. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) opera a única fonte de luz síncrotron da América Latina e está, nesse momento, finalizando a montagem do Sirius, o novo acelerador de elétrons brasileiro; o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) atua na área de biotecnologia com foco na descoberta e desenvolvimento de novos fármacos; o Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) pesquisa soluções biotecnológicas para o desenvolvimento sustentável de biocombustíveis avançados, bioquímicos e biomateriais, empregando a biomassa e a biodiversidade brasileira; e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) realiza pesquisas científicas e desenvolvimentos tecnológicos em busca de soluções baseadas em nanotecnologia.

Os quatro Laboratórios têm, ainda, projetos próprios de pesquisa e participam da agenda transversal de investigação coordenada pelo CNPEM, que articula instalações e competências científicas em torno de temas estratégicos.